Notícias

Doação ilegal só causa inelegibilidade se dinheiro influenciar eleição, reafirma TSE

terça-feira, 27 de novembro de 2018
Postado por Gabriela Rollemberg Advocacia

Por Gabriela Coelho

A inelegibilidade por doação acima do limite legal só pode ser aplicada se o valor "influenciar a normalidade" do processo eleitoral. O entendimento foi reafirmado nesta quinta-feira (22/11) pelo Plenário do Tribunal Superior Eleitoral.

A decisão relativiza uma das previsões da Lei da Ficha Limpa. Ela estabelece que doações eleitorais ilegais ficam inelegíveis por oito anos. Mas, para o TSE, a punição só faz sentido se ficar comprovado que o dinheiro fez diferença na campanha.

A discussão girou em torno do pedido de registro de candidatura de Alcides Ribeiro Filho (PP-GO), que foi liberado para assumir o mandato de deputado federal a partir de 2019. Ele respondia a uma ação judicial por doação acima do limite previsto em lei durante a campanha de 2014, ano em que se candidatou a vice-governador de Goiás pelo Partido Social Cristão (PSC).

No voto, o relator, ministro Og Fernandes, afirmou que a doação pode ser considerada expressiva em termos absolutos, mas não em relação às demais campanhas. “Não há evidências de que a doação é vista sob a vista do abuso de poder econômico e isso indica ausência de risco à integridade do pleito", afirmou o ministro. "Com a jurisprudência atual do TSE, é desproporcional fixar ao recorrido a grave consequência da inelegibilidade por conduta que concretamente não atingiu valores constitucionais subjacentes à hipótese de incidência, notadamente em virtude do valor ter representado quantia reduzida comparada ao montante do total arrecadado.”

O ministro lembrou ainda que a doação foi acima do limite legal, mas que os valores doados representam apenas 5,5% do total arrecadado pela campanha. "Houve baixa interferência das cifras doadas nas eleições de 2014, uma vez que a candidatura beneficiada sequer chegou ao segundo turno do pleito", pontuou o relator.

O entendimento foi acompanhado pelos ministros Admar Gonzaga, Tarcisio Vieira de Carvalho Neto, Alexandre de Moraes e Jorge Mussi.

Uso do Poder Econômico
Ao abrir divergência, o  ministro Luiz Edson Fachin considerou que a Lei da Ficha Limpa é clara e o político deve ser considerado inelegível.

“A doação julgada ilegal importa em uso do poder econômico que causou desequilíbrio no processo eleitoral no montante de R$ 250 mil. A quantia de dinheiro em si é expressiva e suficiente para atos de campanha para influenciar a normalidade do pleito. Isso ofende bens jurídicos protegidos pela constituição”, disse. A presidente, ministra Rosa Weber, seguiu o entendimento divergente.

RO 060102696

Acesse o conteúdo completo em www.conjur.com.br

Categoria(s): 
,
Tag(s):
, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

#GRAinforma

Notícias relacionados

qua, 20 de agosto de 2014

Propaganda de Dilma deve incluir nome de coligação

A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Maria Thereza de Assis Moura determinou que a propaganda na televisão da presidente […]
Ler mais...
ter, 10 de abril de 2018

Inelegibilidade e prisão: à Justiça Eleitoral só cabe examinar três perguntas

Durante muito tempo, os inimigos políticos do Estado não podiam ser candidatos. A Lei Complementar 5, de 1970, previa ser […]
Ler mais...
qui, 03 de junho de 2021

No TSE, Alexandre de Moraes propõe que gravação ambiental seja prova ilegal

Fonte: Conjur Com base nas alterações promovidas pelo pacote "anticrime" (Lei 13.964/2019) na legislação sobre o tema, o ministro Alexandre de […]
Ler mais...
seg, 07 de agosto de 2017

TSE escolhe Luiz Fux como ministro relator das normas para as eleições de 2018

O Tribunal Superior Eleitoral formalizará na próxima semana o nome de Luiz Fux como o ministro responsável pela redação das […]
Ler mais...
cross linkedin facebook pinterest youtube rss twitter instagram facebook-blank rss-blank linkedin-blank pinterest youtube twitter instagram