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“Quanto mais mulheres, mais a gente muda a política”, defende Gabriela Rollemberg

terça-feira, 07 de junho de 2022
Por Gabriela Rollemberg Advocacia

Fonte: IPRADE

Uma sequência em áudio de ofensas de gênero dirigidas à deputada federal Tábata Amaral. Foi assim, de forma extremamente desconfortável e provocadora, que a advogada Gabriela Rollemberg iniciou o seu Ted Alike Por que quero mulheres eleitas?, neste último dia do VIII Congresso Brasileiro de Direito Eleitoral, em Curitiba.

A sequência ininterrupta de palavras de baixo calão, piadas e ofensas proferidas por parlamentares homens é, segundo Gabriela, uma amostra indiscutível da violência política de gênero a que estão submetidas as mulheres que ousam entrar na política no Brasil. Apesar de tudo isso, Gabriela garante: Vale a pena!

Segundo a advogada, “quanto mais mulheres, mais a gente muda a política”. E não é só uma questão de quantidade, mas de qualidade, da forma como as mulheres fazem política. Para Gabriela, as mulheres têm feito uma política diferente, com pertencimento. Um exemplo é a deputada estadual Erica Malunguinho, de São Paulo.

“Ela sai da sua base e vai dialogar com a população, ouvir suas necessidades para, depois, junto com eles construir uma solução para os problemas, que pode ser um novo projeto de lei ou algum outro mecanismo político de ação”.

Gabriela defende que essa característica típica dos mandatos femininos resgata a conexão das pessoas com a política ao promover o sentimento de pertencimento. Ao se ver como cidadãos ativos, participantes do processo político, as pessoas passam a se importar. “Não é só ouvir as bases, é construir com as bases”, diz Gabriela.

A forma feminina de fazer política é diferente, segundo Gabriela, porque a existência, a vivência, as experiências de vida das mulheres são distintas das masculinas. É por isso, ela diz, que as mulheres produzem inovação na política. Mas também porque o que importa para as políticas mulheres, pontua a advogada, é fazer e não quem fez. Exemplo disso são as bancadas femininas na Câmara e no Senado, assim como a união em torno de projetos fruto de autoria coletiva, como, por exemplo, o aumento da pena do crime de feminicídio.

“Quase metade dos lares brasileiros são chefiados por mulheres. Então, por que ignorar essa potência na política?”, questiona ela.

De olho nessa potência é que Gabriela criou uma espécie de aceleradora de mulheres na política, com o projeto “Quero você eleita”, cujo objetivo é facilitar o acesso das mulheres aos cargos políticos de forma eficiente e com conhecimento de causa sobre o funcionamento do processo político.

“Montamos uma Ferrari para quem nem sabia dirigir… Dialogamos com mulheres do Brasil profundo, esquecidas pelos partidos, com problemas reais, sem dinheiro para a condução, sem ter com quem deixar o filho para fazer campanha”, destacou.

Origem

Mas o desafio é grande, reconhece Gabriela, especialmente para vencer uma verdadeira corrida de barreiras dentro dos partidos, isso para aquelas que conseguem chegar a eles. “Mesmo as candidatas fortes têm sido alijadas, isoladas e menosprezadas dentro dos seus partidos”, diz Gabriela.

Entusiasta do poder feminino na política, Gabriela concluiu dizendo que tem um sonho de que as mulheres e meninas sejam livres para existir, para sonhar, para transitar e povoar a política. E citou um trecho da música “Povoada”, da cantora e compositora do Recôncavo Baiano Sued Nunes: “Eu sou uma, mas não sou só”.

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