Notícias

Lei dos Partidos Políticos completa 20 anos em meio à Reforma Política

quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Postado por Gabriela Rollemberg Advocacia

Neste sábado (20), a chamada Lei dos Partidos Políticos completará 20 anos. Promulgada em 19 de setembro de 1995, a Lei nº 9.096 regulamenta todo o processo eleitoral no Brasil. É ela que determina, por exemplo, como se dá a organização e funcionamento dos partidos políticos, a filiação partidária e a designação de candidatos. A lei ainda regulamenta o Fundo Partidário e a prestação de contas dos partidos, entre outros assuntos.

Ao longo das últimas duas décadas a Lei 9.096/95 sofreu alterações por meio de emendas votadas no Congresso Nacional. No entanto, segundo o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Admar Gonzaga, ela ainda conserva a sua essência: “O corpo da norma está consolidado, não tendo sido alterado substancialmente”. Ele explicou que a Lei dos Partidos Políticos pôs fim à tradição edição de normas às vésperas de cada eleição, o que segundo ele trazia alguns casuísmos que não eram bem-vindos ao processo eleitoral.

Os desafios enfrentados pela lei desde a sua promulgação foram muitos. O combate à cultura da compra de votos, a ocorrência de abuso de poder político e econômico e a regulamentação da campanha eleitoral foram alguns dos tópicos que suscitaram o debate da sociedade e trouxeram alterações e acréscimos para o texto original. Atualmente, no contexto da Reforma Política que está sendo debatida no Congresso Nacional, as questões em discussão são outras, como as regras de criação de novos partidos e a questão da fidelidade partidária.

Reforma Política

O ministro Admar Gonzaga concorda que a pulverização dos partidos políticos é um dos assuntos que atualmente têm chamado a atenção de juristas e parlamentares: “Essa pulverização dos partidos é algo que está trazendo problemas enormes para o país. Hoje em dia põe-se a culpa nesse ou naquele governante, mas na verdade é muito pouco provável que qualquer um deles consiga fazer uma coalizão séria, sem interferências deletérias ao sistema político, com essa pulverização de partidos. São muitos interesses a serem atendidos”, explicou. Ele acredita que a adoção de uma cláusula de desempenho provocaria uma reorganização do nosso sistema partidário, com a aglutinação dos ideais desses pequenos partidos em agremiações maiores e, por isso mesmo, mais representativas.

O formato horizontal das coligações partidárias que é adotado no Brasil também é alvo de críticas. Para Admar Gonzaga, ao aglutinar ideologias frequentemente conflitantes numa “sopa de letrinhas” que confunde o eleitor, não se alcança a representatividade que é buscada no processo eleitoral. Ele crê que esse é outro tópico que precisa ser revisto na Reforma Política.

Resgate da atividade política

Segundo o ministro, a diminuição do tempo das campanhas políticas no rádio e na televisão, que já foi aprovada na Reforma Política, terá um impacto negativo no debate político no país e no envolvimento da sociedade no processo eleitoral. Admar acredita que o debate político deve estar sempre nas praças, nos bares, nas casas e nas ruas porque as pessoas têm que exercer a política em toda a sua plenitude. Ele vê a imagem da atividade política passando por um intenso processo de desgaste nos últimos anos: “Estamos vendo a proibição de se fazer campanha. Daqui a pouco a atividade política estará virando algo pejorativo. A criminalização da atividade política está aí, as pessoas com pouco apreço à classe política”.

Sanção presidencial

Além da diminuição do tempo de propaganda eleitoral, também já foram aprovadas na Reforma Política a limitação da interferência do poder econômico, a diminuição do prazo de registro de candidaturas, e o estabelecimento de um teto para o financiamento privado das campanhas eleitorais, entre outras pautas. O projeto já está pronto para seguir para a sanção presidencial para a implementação já no pleito de 2016.

Admar Gonzaga acredita que as alterações são, em sua maioria, positivas para o processo eleitoral no Brasil. Mas acrescenta que ainda há a necessidade de uma reforma política mais profunda. “Algumas questões foram bem tratadas, e eu creio que serão positivas. Outras, como a cláusula de desempenho de partidos políticos e a horizontalidade das coligações, deveriam ter sido melhor enfrentadas e não passaram”, declarou.

 

Acesso em: 23/09/2015
Leia notícia completa em:
Tribunal Superior Eleitoral
www.tse.jus.br

Categoria(s): 
,
Tag(s):

#GRAinforma

Notícias relacionados

seg, 10 de setembro de 2018

“A igualdade de gênero na política deve ser levada a sério de uma vez por todas”

Uma das grandes novidades das eleições 2018 é o Fundo Eleitoral – recurso público que já está sendo utilizado para […]
Ler mais...
ter, 14 de agosto de 2018

Pedido de vista suspende julgamento de recurso contra governador do Rio de Janeiro por abuso de poder

Pedido de vista do ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Admar Gonzaga interrompeu o julgamento de recurso ordinário proposto pelo […]
Ler mais...
qui, 20 de outubro de 2022

Corte mantém indeferimento de registros de candidatos a deputado estadual por São Paulo, Rio e Santa Catarina

Na sessão desta terça-feira (18), o Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por unanimidade, manter o indeferimento do registro […]
Ler mais...
qui, 31 de janeiro de 2013

IDDE lança Especialização em Direito Eleitoral com a participação de renomados juristas

Coordenação Acadêmica Prof. Dr. Rodolfo Viana Pereira Coordenador Acadêmico do IDDE - Instituto para o Desenvolvimento Democrático. Professor do Curso […]
Ler mais...
cross linkedin facebook pinterest youtube rss twitter instagram facebook-blank rss-blank linkedin-blank pinterest youtube twitter instagram