Notícias

Justiça Eleitoral desenvolve ações para ampliar a participação da mulher na política

sexta-feira, 09 de março de 2018
Postado por Gabriela Rollemberg Advocacia

Com o objetivo de estabelecer uma disputa mais equilibrada nas eleições, a Justiça Eleitoral se empenhou nos últimos anos em campanhas para ampliar a participação das mulheres na política. Os dados estatísticos mostram uma desproporção entre o número de mulheres eleitoras e aquelas que se propõem a concorrer a um cargo eletivo: enquanto elas representam 52% do eleitorado em todo o país, quando se trata de candidaturas, elas representaram somente 31,98% no último pleito (2016).

No início de 2014, ano de eleições gerais, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desenvolveu uma campanha veiculada em emissoras de rádio e de televisão intitulada “Mulher na Política”. Lançada com apoio do Senado Federal e da bancada feminina no Congresso Nacional, a campanha permaneceu no ar até junho daquele ano. O número de candidatas aptas a concorrer aumentou 71% naquelas eleições, em comparação a 2010.

A Escola Judiciária Eleitoral (EJE/TSE) também promoveu debates sobre o assunto, dando ainda mais destaque para o tema. Em setembro de 2015, foi realizado um seminário sobre reforma política, e um dos assuntos foi a ampliação da atuação das mulheres.

No mesmo ano, o Congresso Nacional aprovou alterações na legislação para determinar que as legendas utilizem 20% do seu tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV para incentivar a participação feminina na política (Lei nº 13.165/2015).

Já em 2016, um dos pontos debatidos no VII Encontro Ibero-Americano de Magistrados Eleitorais, promovido pelo TSE, foi o desafio do poder público, dos partidos políticos e dos organismos internacionais para garantir a efetiva participação feminina na política dos países. Na ocasião, as representantes de diversas instituições assinaram a Declaração de Brasília – documento contendo as deliberações sobre normas e meios para reforçar o papel e a participação da mulher nos sistemas representativos dos países da região ibero-americana.

O Dia Internacional da Igualdade Feminina, comemorado em 26 de agosto de 2016, também foi celebrado pelo TSE. A data simboliza a história de lutas das mulheres em busca da valorização de gênero, paridade educacional e profissional e de aumento da participação feminina na política, ao lembrar o dia em que as mulheres foram às urnas pela primeira vez nos Estados Unidos, em 1920.

O TSE, a ONU Mulheres, o Instituto Patrícia Galvão (IPG) e o Grupo de Pesquisa sobre Democracia e Desigualdades da Universidade de Brasília (Demodê/UnB) lançaram em setembro do ano passado a plataforma digital “Cidade 50-50: Todas e Todos pela Igualdade”, no intuito de reforçar o debate sobre a igualdade de direitos entre mulheres e homens nas Eleições Municipais de 2016. Por meio da plataforma, candidatas e candidatos dos 5.568 municípios brasileiros onde houve eleição puderam se cadastrar e assumir, publicamente, compromissos com a promoção dos direitos das mulheres, durante a campanha eleitoral.

Aplicação da lei

No Plenário, os ministros também mostraram rigor ao aplicar a legislação que visa incentivar o engajamento das mulheres. Em setembro de 2016, os membros do TSE cassaram o tempo de propaganda partidária, no rádio e na TV, dos diretórios estaduais do Partido Progressista (PP) e do Partido Socialista Brasileiro (PSB) no Rio Grande do Sul e do Partido Republicano da Ordem Social (Pros) em Minas Gerais. As legendas foram punidas por não terem destinado o mínimo de 10% de sua propaganda para a promoção e difusão da participação da mulher na política, conforme previsto na Lei nº 12.034/2009.

A mesma medida se repetiu em fevereiro de 2017, quando o Plenário do TSE decidiu cassar o tempo de propaganda de 10 partidos políticos (PRB, PHS, PT, PSB, PSC, PMDB, PCdoB, PR, PSD e PV) que descumpriram regra estipulada pela Lei nº 13.165/2015, que garante 20% do tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV para incentivar mais mulheres a se candidatar.

A norma que visa difundir a presença das mulheres está prevista na Lei dos Partidos Políticos (Lei nº 9.096/1995, artigo 45, parágrafo 2º, inciso II) e determina que a perda do tempo de propaganda seja feita no semestre seguinte ao da veiculação ilícita e equivalente a cinco vezes ao tempo divulgado irregularmente. Ou seja, essas legendas perderam, proporcionalmente, o tempo de inserções a que teriam direito no primeiro semestre de 2017.

Na ocasião do julgamento, os ministros ressaltaram que não basta o candidato falar sobre violência sexual ou assédio à mulher para que, com isso, esteja cumprida a exigência legal. O relator do caso à época, ministro Herman Benjamin, enfatizou que o intuito da lei não é usar o tempo da propaganda político-partidária para informar às mulheres o que vem sendo proposto em seu favor nas casas legislativas por seus representantes do sexo masculino, ou promover campanhas sobre os direitos da mulher, mas, sim, incentivá-las a se engajarem na vida partidária.

“Penso que o objetivo da lei é acabar com o sistema em que os homens se autointitulam representantes naturais da mulher. A norma pretende fazer a mulher reconhecer que ela é cidadã igual ao homem, com voz própria para defender seus direitos”, disse ele durante a sessão.

Confira aqui os dados estatísticos do eleitorado e de candidaturas.

CM/LC

 

Fonte: http://www.tse.jus.br/imprensa/noticias-tse/2018/Marco/justica-eleitoral-desenvolve-acoes-para-ampliar-a-participacao-da-mulher-na-politica

Categoria(s): 
,
Tag(s):
,

#GRAinforma

Notícias relacionados

qui, 07 de junho de 2018

Justiça do Trabalho no Rio suspende privatização de distribuidoras da Eletrobras

Por Sérgio Rodas Embora não exista na lei brasileira obrigação para o Estado apresentar estudo sobre os impactos de uma privatização […]
Ler mais...
ter, 24 de novembro de 2015

TRE/MG desaprova contas do DEM de 2012

A Corte Eleitoral de Minas desaprovou, nesta quinta-feira (10), por cinco votos a um, as contas do diretório estadual do […]
Ler mais...
sex, 05 de julho de 2013

Plebiscito sobre reforma política só valerá para 2016, aponta base do governo

A posição de consenso foi divulgada após reunião dos líderes da base com o vice-presidente da República, Michel Temer, e […]
Ler mais...
qui, 12 de março de 2020

Foto disponibilizada na internet não afasta direito do autor

Fonte: Conjur O fato de uma fotografia estar acessível na internet, podendo ser encontrada facilmente por mecanismos de buscas, não […]
Ler mais...
cross linkedin facebook pinterest youtube rss twitter instagram facebook-blank rss-blank linkedin-blank pinterest youtube twitter instagram